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beijingcalling

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...agora sim... HADOUKKEN!!! [Oct. 5th, 2007|11:54 pm]
[Current Location |Paris, França]
[Current Music |Tiziano Ferro - Stop! Dimentica]

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Zeitgeist [Oct. 5th, 2007|11:24 pm]
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Doravante os zeitgeists serão postados em

rodurigo.livejournal.com

(Aqui apenas termino de escrever histórias da China).

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Uníssono [Oct. 1st, 2007|11:16 pm]
[Current Music |Emiliana Torrini - Serenade]

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Cansaço e música. Um estado mental sonâmbulo; a saliva escorrendo pela boca e formando sinapses que antes não estavam lá.

As árvores dobram ao vento como num longo bend de guitarra; os pés atingem o solo, compõem um solo de milhares de bumbos; e qualquer movimento brusco dos cabelos explode os pratos. Luzes piscam, olhos piscam, os sangue pulsa, crianças pulam, a chuva cai numa interminável escala de baixo. Espreguiço-me violoncelo, e alguém penteia-se clarineta, outro espirra saxofone. Todos os que falam parecem cantar. Todos os que bocejam parece gritar.

Na ilusão de que o mundo é uma grande banda, ele volta a fazer sentido.

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Você está aqui [Sep. 28th, 2007|12:01 am]
[Current Music |Radiohead - Where I end and you begin]

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- E então, finalmente é pra valer né, meu caro? Que você tá achando disso?
- Na verdade, acho que só tô colhendo o que sempre plantei.

E assim eu e o Thiagones entramos num consenso sobre a sorte no amor. Tinha de acontecer, não? Esse período em que ele, apoiado por nós – seus platinados Cabrones, extravasou musicalmente os revezes (e seriam mesmo revezes?) amorosos com essa dignidade cômica ou comicidade digna... Parece que vingou. E se for o acaso, eu negaria sua própria natureza aleatória chamando-o de justo.

Tenho de acreditar que o acaso é justo. Uma justiça além de nós ou do que julgamos certo. A grande corrente que nossos atos desencadeiam rascunhando o futuro. Neste último 24, há muitos anos atrás, morria Dom Pedro I, “criador” deste país. Que diria ele de nós agora? Afague-nos a cabeça, Dom Pedro; diga-nos que não estamos tão mal. É complicado andar com as próprias pernas, é difícil sequer enxergar que nos propomos a um governo do povo, sem a benção do rei ou ditador. Estamos tentando.

Essa semana recebi meu primeiro salário como professor de chinês. Como é que tudo isso começou? Ah, sim. Frango xadrez, chop-suey, carne desfiada acebolada. Com um rapaz fazendo malabarismos improváveis, belos e perigosos numa noite de domingo. E eu largado no sofá com a minha dor, no corpo, na cabeça, no coração; percebendo que pela primeira vez via algo que justificaria chamar-se aquele programa “Fantástico”. Precisava tanto de orientação. De oriente.

Sem perceber, comecei a caminhar pro leste. A fazer movimentos estranhos e pronunciar sons incompreensíveis. A desenhar sinais misteriosos com tal fervor que neles me perdi. Quando dei por mim, estava a million miles away de casa. Me desesperei. Eu, que rejeitei essa casa e os outros procurando por mim; até perceber que também os sou. Fiquei surpreso ao perceber raízes no que sempre julguei uma folha solta. Tive de ir um bocado longe até perceber isso.

Ei, você. Sim, você. Até onde vai precisar fugir até me notar? Um dia vou ser muito maior que a sua indiferença. Por você eu já pensei em desistir de ser humano para tornar-me lenda. Um ser épico que mereceria seu temor e admiração. Não, não está certo. Devo ser uma pessoa e oxalá isso seja o bastante para despertar o seu respeito.

É engraçado pensar sobre a própria existência como culminância de uma série de ações e genes de outras pessoas.

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HADOUKEN!!! [Sep. 17th, 2007|11:31 pm]
[Current Location |Paris, França]
[Current Music |Tiziano Ferro - Stop! Dimentica]

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Amai até o pombo que vos caga [Sep. 12th, 2007|11:30 pm]
[Current Location |Luoyang, província de Henan]
[Current Music |Black Sabbath - Lost children at the sea]

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Pela manhã andamos até estação, bem cedinho, já que a vida noturna de Dengfeng se resumiu ao cyber café e ao noodles que conseguimos encontrar aberto. (Ao menos livrou-nos da fome e daquele chuvisco infernal.) Fomos até uma cidade tão esquecida que nem eu, que estive lá, lembro o nome. E olha que sou bom nisso. Queríamos dar uma conferida num Observatório construído no século XI; lá haviam calculado o ano com 365 dias e alguns poucos segundos de discrepância dos valores atuais. Foi bem refrescante visto que: 1. Foi fácil encontrar; 2. Só tinha a gente lá; 3. Não era mais uma porra de um templo.

Pegamos as coisas na estação de Dengfeng e rumamos pra Luoyang, lar das famosas grutas dos milhares de budas entalhados. Hospadagem parecia um problema. Numa das bodegas, como eu não queria aceitar que não tinham lugar pra gente, a recepcionista simplesmente saiu do balcão e levou-nos a um hotel bacana, todo rococó. Eu já tava preparando o vocabulário de guerra quando me disseram que sairia por 120 yuan. Mais ou menos 34 reais. Para os 3. (Deus abençoe a China) Tentamos ir ao museu da cidade, mas já estava fechando. Ainda tomei um bruto susto com a minha câmera, que simplesmente congelou numa imagem escura... Nada que pilhas novas não tenham resolvido. Acabamos passando umas três horas no KFC, aproveitando o calorzinho e as cadeiras confortáveis. Daí passamos mais umas horas procurando um mercadinho de comidas que nunca achamos, dançando valsa com os nativos no meio da rua e voltando pra casa a contar casos bizarros em inglês. (E por que este vil Esperanto moderno?)





Foi difícil abandonar aquele conforto de manhazinha, enfrentar aquela neblina de uma preguiça contagiosa... Mas era para ver o que, supostamente, nos havia levado àquela cidade. Talvez já estivéssemos com uma certa ressaca uns dos outros; naquelas grutas e cavernas parecíamos mais engajados nos processos internos. Eu ficava olhando as pedras, aquelas camadinhas de cores diferentes, passava a mão, imaginava que tipo de cinzel havia enchido as encostas de divindades budistas, a maioria mutilada pelo tempo ou vandalismo. Puxa vida, adoro olhar pedra. A Helena estava ocupadíssima com sua epifania de que era a mosca na sopa, as telhas do telhado, o início, o fim e o meio. E o Lucas... Sei lá, nunca faço a menor idéia do que se passa pela cabeça do Lucas.

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O berço reformado [Sep. 3rd, 2007|02:40 pm]

Kung tur
Originally uploaded by Rodri B.
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Da capital Zhengzhou partimos para Dengfeng, a cidade mais próxima do Templo Shaolin. Assim que deixamos o peso nos lockers, motoristas surgiram de todas as partes, com panfletinhos de hotéis, de templos e escolas de wushu; nossas caras gringas eram o passaporte para a gaita (saudades desse tempo em que se chamava dinheiro de gaita. E olha que eu nem devia ser nascido). Qual a primeiríssima coisa que fizemos no templo Shaolin? Encontramos mais um brasileiro! Que história contou aquele cara... Um dos pioneiros da Seleção Brasileira de Kung Fu, dando o sangue em campeonatos pelo mundo. Fiquei até animado para encontrá-lo depois e ouvir toda a história do bom e velho Geraldo. Mas aí ele começou a mandar umas mensagens dizendo "I need attention". Dezenas delas. Eu ligava e perguntava o que significava aquilo, ele respondia que não sabia usar o telefone direito, falava que estava num lugar ótimo, mas não conseguia explicar onde. Aos poucos, parei de responder. De me importar. "I need attention, I need attention". Deu pra perceber, amigão.

O Shaolin, como tudo na China, está sendo McDonaldizado, como diria o célebre Marcos Supertenista (meu garboso anfitrião na Alemanha). Pavimentado com pedras e entalhes, pouco lembra aquele berço das artes marcias que, dizia o mestre Alexandro, estava cheio depressões na terra batida: buracos que os monges abriam tamanha era a força com que batiam os pés no chão. Aos menos conservaram as árvores com os incríveis buracos que os monges abriram à dedadas. (Huhuhuh, hey Beavis... Buraco. Huhuh-huhuh... Dedada)

Não dava pra deixar o templo sem ver uma apresentação esvoaçante dos endivinados monges Shaolin, certo? A única obsvervação era a de que apenas o Time C encontrava-se por lá, o A e o B estavam em turnê. Claro, até mesmo a terceira divisão está num nível altíssimo... Mas, percebam o dedo irônico do destino; a performance que víramos em São Paulo, anos antes, foi bem melhor que a do próprio templo Shaolin.

No que pensávamos em que ônibus pegar pra voltar, o cara que trouxe a gente (que conseguiu nos meter na van) apareceu do nada. Nos levou de volta pra Denfeng, onde tentamos comprar passagens de ônibus para Luoyang, mas a estação também seguia o sagrado encerramento às 6 da tarde. Nos deixou no hotel do amigo dele e queria marcar um horário para a manhã. De fato, tava sendo muito prático e pouco caro deixar que nos guiassem... Mas que tipo de mochilagem teríamos sem a parte de se perder por aí e andar feito loucos??? Acabei dizendo que não tínhamos planos.

De fato, eram vagas idéias de que direção seguir.

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Henan - O Grande Encontro [Aug. 26th, 2007|05:49 pm]
[Current Location |Henan province, China]
[Current Mood |gloomygloomy]
[Current Music |Emiliana Torrini - Unemployed in Summertime]


Shaolin boy powerhead
Originally uploaded by Rodri B.
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O Zé, a Elba e o Alceu se juntam pra cantar e tocar. O Lucas, a Helena e o Rudrigo se encontraram pra curtir um Kung Fu na raiz!

Provavelmente se espantaram naquela manhã em que saí da estação com uma enorme mochila nas costas e projeto facial audacioso. Um caracol bigodudo; na volta ao sul para o show do Muse eu ostentaria aquele tufo glorioso como fosse o próprio cavaleiro de Cydonia.

...


Malas no hotel ao lado da estação e fomos dar uma voltinha na capital, Zhengzhou. De fato aquela é considerada a estação central da China; de onde pode-se ir a qualquer parte num tempo relativamente curto... Não era lá essas coisas, afinal, também trata-se da província mais pobre do país. Demos uma bela volta e fomos parar numa churrascaria "brasileiríssima", com espetinho de polvo apimentado e tudo mais. Sempre tem brasisleiros perdidos nesses lugares, impressionante. Claro que procuramos algo melhor ou, ao menos, típico, mas nosso guia Lonely Planet estava especialmente ruim (feichang huai) no sentido de ter endereços corretos de estabelecimentos que ainda existissem.

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Zeitgeist nº2 [Aug. 26th, 2007|02:36 pm]
[Tags|]
[Current Location |Ba xi li ya]
[Current Mood |lazylazy]
[Current Music |Smashing Pumpkins - Starz]

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Minha madrinha cortou a melancia de uma forma estranha, desperdiçando toda a polpa mais próxima à casca, focando-se apenas no centro doce, que serviu num prato fundo. Odiei-a naquele momento; jogando fora a minha parte favorita!

Pediu que eu comesse o néctar, ao passo que, com uma faca, consumiu ela mesma aquela parte menos açucarada. Eu devia tomar mais cuidado com esses pequenos ódios.

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Zeitgeist n°1 [Aug. 15th, 2007|11:27 am]
[Tags|]
[Current Location |Brasília]
[Current Music |Dick Dale - Miserlou]

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Não tenho problemas em ser a sombra. Que o mundo está cheio dessa luz burra e ofuscante. Destes orgulhosos seres alados me buscando para refrescar.

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